Nau à deriva

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Texto de: Enrique Bayer

Os comandados de Felipão despediram-se da Copa do Mundo perdidos como um navio envolto num nevoeiro em alto-mar. É o retrato de um futebol que pode ser legendado em duas palavras: "estamos atrasados" ou "estamos perdidos". O futebol brasileiro está atrasado, perdido.

Quando tive a oportunidade de escrever sobre o confronto entre França e Suíça (que você pode conferir aqui) eu disse que "compactação, velocidade, objetividade e variação de jogadas são os pilares para o sucesso no futebol moderno", acontece que a seleção de Luis Felipe Scolari não demonstra nenhum desses valores. Aliás, parece fazer exatamente o contrário.

Um dos principais defeitos desse time, é que o meio campo não aparece pro jogo. Os zagueiros, especialmente David Luiz, tentam comunicação direta com o ataque, falhando miseravelmente na maioria das vezes. O que agrava a situação é que parece que não há técnico na lateral do campo. Os erros se repetem ou se repetiram jogo após jogo. Estamos perdidos.

Além do futebol pífio, que foi destruído pelas duas melhores seleções que encontrou pelo caminho (Alemanha e Holanda), a seleção brasileira parece carregada e cercada de soberba, desde a cobertura midiática até a postura da comissão técnica e dos jogadores... isso durou até a Alemanha nos humilhar. Boa parte dos envolvidos na preparação acreditavam, ou pelo menos diziam, que essa seleção era capaz de ser campeã. Na verdade nunca foi.

Estamos perdidos no nevoeiro, como o navio do começo do texto. E vamos demorar para sair dele. O futebol o país precisa de uma liga séria. Precisa abandonar a soberba do discurso que diz que somos "o país do futebol". Precisa de novos conceitos, novas ideias, novas pessoas. Precisa sair do nevoeiro. No entanto, é difícil acreditar que alguém em terras tupiniquins tenha coragem pra bater no peito e dizer "Eu posso salvar o navio!".


A expressão de David Luiz diz tudo: fracasso retumbante (Foto: Reuters)
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