Essa é a nossa seleção!... mas só no primeiro tempo

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Brasil agride e domina na primeira etapa, se acomoda na segunda, mas vai às semis


Texto de: Felipe Deliberaes

A pressão acumulada depois do jogo nervoso contra o Chile pareceu que jogaria um peso do tamanho do país nas costas de cada jogador - afinal, a seleção cansou de surrar, nas eliminatórias e amistosos, os mesmos adversários sulamericanos que vem enfrentando no torneio até aqui. Por que teria que ser tão sofrido? Antes do apito inicial contra os cafeteros, as apostas que fazíamos dia-a-dia eram carregadas de insegurança. "Eles são perigosos", "Estamos sem o Luiz Gustavo", "Aquele 10 deles joga muito", "Agora é pedreira". A ansiedade era maior do que nunca. Mas é gol! É gol de novo! Segura, segura!... acabou juiz!... Passamos! Ufa! O sábado foi feliz.
Ufa! Zagueiros resolvem na bola parada e Brasil volta às semis depois de 2002 (Foto: Tom Gatehouse/Soccerlens.com)
Na Copa das Confederações do ano passado, vimos a seleção brasileira em sua melhor forma em muito tempo. A coletividade fazia a diferença, e não havia Neymardependência. Ontem, em Fortaleza, os onze de Felipão jogaram o primeiro tempo como se a Copa 'do Mundo' fosse só a 'das Confederações' - e, de novo, não dependemos do craque. Contra o Chile, sim: apagado, Neymar 'só' converteu seu pênalti. Ontem, de novo, não chamou a responsabilidade para si como na fase de grupos. Mas desta vez não sentimos tanta falta dele. A dupla de zaga foi impecável e o ataque, embora pouco operante, foi coberto pelas (mortais) bolas paradas. Pensava-se que Luiz Gustavo deixaria um buraco muito grande no meio-campo, mas Paulinho fez sua melhor partida - além de que foi assistido na marcação por todo o time. Pressionando a saída de bola dos colombianos, o primeiro tempo foi de absoluto domínio verde e amarelo, embora muitas jogadas parassem na ineficiência do setor ofensivo.

Uma marcação como a de ontem, no entanto, cansa. Exige vigor. E o Brasil cansou no segundo tempo. Deu espaços. O pênalti cometido por Julio César - que poderia até ter sido expulso - surgiu de um desses espaços. Aí, sentimos a falta do volante cão de guarda que assistiu o jogo do lado de fora do campo. Paulinho, repetindo, fez boa partida. Mas sua função é de volante de transição, que distribui a bola, sobe ao ataque e recompõe a defesa com a mesma habilidade. Com dois de vantagem e um James Rodriguez do outro lado, precisávamos de alguém exclusivamente dedicado à proteção da defesa. Boa, Paulinho, mas Luiz Gustavo será muito bem vindo nos 11 iniciais contra a Alemanha.
Mas vencemos. Com autoridade. Fomos melhores que o melhor time da Copa até então. O que não quer dizer muita coisa, já o negócio é bola na rede e calma pra segurar o resultado. Tivemos os dois contra os colombianos. Méritos a eles; Vão, mais uma vez, fortes para as próximas Copas (América e, quem sabe, Confederações).


Neuer acaba com o último suspiro da França: Alemães vêm com moral (Foto: Thanasis Stavrakis/AP)
A Alemanha, oponente da próxima terça, tem estilo de jogo que se assemelha ao da Colômbia, com o diferencial de possuir boas referências perto e dentro da área além de uma das melhores ou a melhor zaga do mundo. Sem Thiago Silva, suspenso, e sem Neymar, que foi morto - digo, desafortunadamente lesionado por Zuñiga, a tarefa vai ser muito mais difícil. Dante deveria entrar na vaga do capitão, já que conhece o adversário a fundo. Mas Felipão, cauteloso e inseguro, deve começar com seu 'parceiro' e 'homem de confiança' Henrique. Fred, inoperante e individualista, poderia esquentar o banco; Hulk e Willian, mais 'coletivos', teriam mais liberdade na área. Bernard pode ser poupado da 'fogueira', mesmo tendo demonstrado repetidamente não ter medo do fogo.

As opções são várias, mas as certezas fogem do ultrapassado Luis Felipe Scolari. A única certeza é a de que, até a próxima Terça, ainda tem chão. E pressão. Muita pressão, ansiedade e contar de horas, minutos, segundos. Se não passarmos, tudo bem - terá sido uma Copa razoável, melhor que as duas últimas. Mas o povo quer o hexa. E temos totais condições. Neymar já está longe de seus companheiros e só deve aparecer na TV durante os jornais, informando sobre sua recuperação. Mas, agora, contamos com o melhor jogador de qualquer seleção: a superação. A vontade de combater as adversidades e trazer a taça para casa vai contagiar seja lá quais forem os onze que pisarem o gramado do Mineirão no próximo dia 8. Agora, é na força da camisa. E a nossa é a mais condecorada do mundo. 

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