Ser Futebol

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Texto de: Jean Marcel

Uruguai vs Itália é a prova de que o esporte que amamos sobrevive, apesar dos pesares


Falem que o jogo foi ruim tecnicamente, critiquem os treinadores por terem a defesa como princípio, exaltem a falta de jogadas de efeito... Mas o Futebol respira hoje, respira alegre e contente com uma partida que entrará para a história da copa. Por mais que lembremos dos shows individuais, que exaltemos jogos com muitos gols e propaguemos a amistosidade no futebol, no fim do dia sonharemos com os carrinhos de Godín, com as defesas de Buffon, com a paixão de Alvaro Pereira, com o rosto triste de Pirlo ao alçar, pela última vez em mundiais, a bola na área, buscando um companheiro. 
Decisivo, Godín marcou de cabeça e classificou a celeste. Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP
O jogo de hoje não foi apenas um confronto entre equipes acostumadas a sofrer, foi muito mais que isso, foi o grito de um esporte que não nasceu para cordialidade (veja que não falo nada sobre Fair Play ou educação). Sou defensor da ideia de que o Futebol entristeceu no dia que o Bernábeu aplaudiu Ronaldinho Gaúcho, no dia que os jogadores do Brasil foram parabenizar os franceses após a eliminação do mundial, no dia que a Espanha foi eliminada da copa sem perder a compostura. Se Ekotto diz não amar o futebol e fazê-lo apenas como profissão, como declarou, vimos que os celestes e a squadra azzurra não concordam com o lateral camaronês.  
Alguns podem me criticar, falar que a cordialidade é a evolução do futebol. Eu espero que não, quando estou dentro de um campo, seja jogando com os amigos ou em algum torneio, sinto que devo deixar minha vida lá, não gosto de perder, não gosto de ver o outro ganhar. E foi isso que vi nos atletas uruguaios e italianos, foi uma ânsia de continuar vivo.
Suarez e Chiellini fizeram um duelo particular no jogo, com direito a polêmica. Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP
 A Itália jogou com o regulamento nos braços, como sempre fez, mas não significou apatia, foi valente, aguerrida dentro das suas limitações. É um time envelhecido e com alguns problemas pontuais, mas a Itália nunca é uma máquina. Perde e saí eliminada com Costa Rica se classificando. Vergonha? Sim, não vamos passar as mãos na cabeça de Prandelli, que deveria ter ganho da Costa Rica. Mas, mesmo assim, prefiro a vergonha italiana, mascarada pelo suor e pela vontade, do que a passividade espanhola.
E ao Urugai? Uruguai empolga, me faz lembrar o porquê comecei a jogar futebol quando criança, me faz lembrar o porquê gasto horas da minha vida acompanhando esse esporte, me faz lembrar, principalmente, o porquê Futebol não é só '22 homens correndo atrás de uma bola'. Mesmo o uruguaio que mais odeia a Copa deve ter orgulho dos selecionados de Tabarez, humilhados após o primeiro jogo, escorraçados pela própria imprensa e desacreditado pelos rivais, mas que enfrentou os europeus e expulsou-os das Américas. Parabéns Uruguai e Itália, pois na Copa das Copas, vocês (apesar dos pesares) demonstraram que o futebol emociona quando é jogado com o coração. 

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