Muricy já sabia

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Já diria o grande pensador contemporâneo Muricy Ramalho: “A bola pune.” Eis que o mundo do futebol teve mais uma prova dessa sábia assertiva no dia de hoje, proporcionada pela seleção do Equador. Os sul-americanos enfrentaram a Suiça, jogo de abertura do Grupo E da vigésima Copa do Mundo de Futebol, na capital do país do futebol, Brasília.

Os atrasos gerados pelas longas filas fora do estádio deram impressão, no começo do jogo, de um Mané Garrincha morno. Mas o planalto central é sempre quente, e dentro do estádio não foi diferente. Os equatorianos dominaram a arquibancada, mas esqueceram de dominar o jogo, o mais emocionante da Copa até agora.

Com propostas de jogo claras, europeus e sul-americanos fizeram uma partida em que nossos quase vizinhos davam preferência aos contra-ataques, como tinha avisado o técnico Reinaldo Rueda. Nas oportunidades que surgiam, Montero era o encarregado de levar os equatorianos ao ataque sempre em velocidade e pelos lados do campo.

E foi ele, Montero, aos 21 minutos do primeiro tempo, que sofreu a falta – pelo lado esquerdo do campo – dando origem ao gol sul-americano. Num cruzamento exemplar do experiente Ayoví e numa falha coletiva da zaga suíça, (que parece ter esquecido que bola aérea se combate no ar, ninguém pulou) o Equador abriu o placar, Enner Valencia, 1 a 0. Nas duas últimas Copas, os suíços tinham sofrido apenas um gol em sete jogos.

Aí, os nossos quase vizinhos sul-americanos cometeram um erro pelo qual pagariam mais tarde, e de forma cruel: recuaram. Deixaram que os suíços gostassem do jogo, que fizessem pressão, confiaram no setor mais frágil do time, a zaga. Enquanto os europeus iam ganhando território, moral e tudo que tinham direito, os equatorianos erravam passes na hora de encaixar os contra-ataques, recuavam cada vez mais. Não deu outra, como diz Muricy, “a bola pune”. Puniu.

Mais uma vez uma falha defensiva contribuiu para que as redes balançassem no sempre quente planalto cental. Mehmedi, que tinha acabado de entrar mal precisou sair do chão pra igualar o placar, 1 a 1 e momento dos suíços. Com meio de campo mais técnico, time mais compactado, organizado e confiante, os europeus partiram pra cima.

O que se viu do empate em diante (praticamente todo o segundo tempo) foi um time suíço que errou menos passes, ao contrário dos equatorianos, que pareciam cada vez mais nervosos e cansados. “A bola pune” lembra Muricy, puniu, mais uma vez. Já no final e com jogo franco, contrariando especialistas que recomendavam cautela, Equador e Suiça trocaram chances de gol e lances perigosos.

Foram os suíços, no entanto, em lance de contra-ataque e persistência, que tiveram melhor sorte. Behami, depois de desarmar Arroyo num desses quase-gol de final de jogo sofreu e ignorou uma falta ao melhor estilo Libertadores. O volante continuou a jogada pro lateral Rodríguez, que apesar do nome, é suiço. Em cruzamento certeiro pros pés do inteligente Seferovic, outro suplente, a Suiça fez um favor a Muricy e confirmou: “a bola pune”. 2 a 1 pros vermelhos aos 48 do segundo tempo na quinta virada em nove jogos da Copa das Copas.

Seferovic é cercado pelos suiços comemorando o gol da virada. Foto: AFP



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