Existe liberdade no futebol? Apenas em termos

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Do exército à Copa do Mundo

Texto de: Vitor Carvalho


Lee em comemoração após o gol contra a Rússia (Foto: Reuters)
O ápice para um atleta, seja de qualquer modalidade, é disputar as maiores competições em alto nível. A maioria deles, a grande massa de esportistas e pseudo-esportistas mundo afora, apenas sonha com isso. Apesar disso, alguns sonhos se tornam realidade: temos exemplos maravilhosos no meio esportivo; relatos de pessoas vindas de um cenário complicado, com adversidades, barreiras e tudo da forma mais humilde possível. O esporte nos presenteia com essas histórias, que acrescentam ainda mais em sua desenvoltura e, não menos, sua prática.

No futebol, os exemplos não param. Quando ‘moleques’ nos imaginamos como camisa nove da seleção, jogando a Copa do Mundo e atingindo a glória máxima. Não sei se é peculiaridade do brasileiro, mas certamente é do amante da ‘gorduchinha’. Como já disse algum autor por aí “sonhar não custa nada”. Frase mais do que verdadeira é encorajadora: não vejo forma de sucesso, de progressão em qualquer âmbito da vida, que não passe por almejar, querer e perseguir seus objetivos. No esporte e, no futebol, também são assim.

É notável, principalmente agora (neste mês, especificamente), como já soltara outro alguém “não existe mais bobo no futebol, amigo”. O nivelamento das equipes é evidente. As chamadas zebras de hoje, são as forças de amanhã. O futebol evolui para todos, uns mais e outros menos. Diversos fatores estão ligados: desde trabalho de base, equipe técnica, acomodação, talento, dinheiro (indispensável) e a magia do futebol, acentuada ainda mais em Copas.

Caso esse, presente na Coreia do Sul. Desde a Copa da Espanha, em 1982, a seleção participa de mundiais. De lá pra cá, nenhuma ausência, além de uma semifinal em 2002 (quando dividiu sede com os nipônicos) e uma oitavas de final, na última edição do torneio. O futebol asiático, antes chamado de fraco em tática e força, contendo só ‘correria’, mudou. E mudou para melhor.

Porém, para tal sucesso, seguir as normas do país também é parte do desenvolvimento. Nesse caso, mais cidadão e mental do que dentro das quatro linhas. Segundo a constituição sul-coreana todo homem, entre 18 e 35 anos, deve passar ao menos 21 meses prestando continência ao exército. A qualquer momento um telegrama pode chegar, e não há recusa.

Foi o que aconteceu com o atleta Lee Keun-Ho, sul-coreano chamado às pressas para o serviço militar local. O ocorrido foi em 2013, após ter sido eleito um dos melhores asiáticos do ano anterior e ter ganhado a Champions League local com o Ulsan. Propostas do futebol Europeu surgiram, mas o atleta precisava cumprir seus deveres como cidadão. Em suma, ele ficaria dois anos longe de seu clube.

Em virtude disso, os atletas não ficam sem jogar. Ao serem chamados, incorporam a equipe militar que disputa a segunda divisão nacional. Lee vinha sendo convocado regularmente pelo seu ‘professor’ à seleção e vivia o melhor momento da carreira, estava no auge. Mesmo disputando a segundona, ficou entre os 23 da Coreia para a disputa do mundial. Logo na estreia, veio a compensação. O jogo estava truncado e calor de Cuiabá cansava os russos no gramado.

Percebendo isso, o técnico o chamou no segundo tempo e garantiu, até então, o único ponto da Coreia do Sul na Copa, em chute de fora da área – contando com colaboração do arqueiro Akinfeev. Assim como um militar, não desobedeceu às ordens de seu treinador. Cumpriu seu papel.

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