Bravo, Julio!

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Goleiro conquista a redenção e põe a seleção, que fez sua pior partida até aqui, nas quartas

Texto de: Felipe Deliberaes

Julio, heroi da classificação brasileira às quartas de final (Foto: Vipcomm)
A eliminação nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 2010 ainda repercute entre os amantes do futebol. Todos analisam os gols da Holanda e buscam um culpado. Naquele caso, podemos dizer que são dois: Felipe Melo e Julio César, que se trombaram na hora de espalmar uma bola. Felipe foi perseguido – injustamente – pela mídia esportiva. Eu, particularmente, acredito que o goleiro foi o maior culpado, mas são coisas do futebol. Será que a mídia russa vai querer a cabeça do goleiro Akinfeev, que falhou duas vezes? E alguém acredita que a portuguesa vá perseguir o inconsequente zagueiro Pepe até a próxima Copa? Não ao ponto que fizemos com esses dois.

Brasileiro é assim mesmo: tem que ter alguém pra crucificar. E quando o 'Cristo' da vez se redime, todas as críticas evaporam. É incoerente. Mas pelo menos elas desaparecem,
certo? Julio César é o menor dos culpados pela instabilidade da seleção brasileira até aqui. E ontem, no Mineirão, foi o 'culpado' pela classificação. O Chile jogou melhor, teve mais calma – se alguma equipe não tinha nada a perder ontem, eram os vermelhos. O favoritismo era nosso, a torcida era nossa, a Copa é nossa. Parar nas oitavas, ainda que para a melhor seleção Chilena em muito tempo, seria desastroso. Ao levar o empate, a pressão deve ter caído na cabeça de cada jogador como um bloco de concreto, o que resultou em desorganização completa e desequilíbrio emocional durante o restante da partida.

O Brasil começou apostando nas jogadas pela esquerda, com Marcelo, buscando chegar em Neymar. Do outro lado do campo, Daniel Alves era instável como sempre. Não demorou a perder uma bola ainda no campo de defesa e colocar a seleção em perigo. Não dava pra confiar. O reserva Maicon, mesmo não tendo ainda oferecido uma amostra de seu nível técnico, deveria começar a próxima partida. O titular é o ponto fraco, por onde saem as jogadas.
Ontem, não raro, David Luiz tinha de subir para o canto do campo e ajudar a proteger aquele lado, o qual o lateral do Barcelona deixava desprotegido quando subia – sem muita eficiência – ao ataque.

O gol, claro, saiu pelo lado esquerdo. Neymar cobrou escanteio, desviado por Thiago Silva e mal desviado pelo chinelo Jara. A bola ainda encostou de leve em David Luiz e entrou. Primeiro gol do zagueiro com a camisa da seleção, “primeiro dos muitos que faremos hoje”, imaginava o otimista. E otimistas também estavam os onze em campo: recuarem, sossegaram, só marcaram e tiveram paciência. Paciência demais, objetividade de menos. O goleiro Bravo, também um dos protagonistas da noite, não deixava nada passar. Se tivesse prosseguido seria candidato à “luva de ouro”, ou seja lá qual é o prêmio para o melhor goleiro da Copa. O Chile empatou com Sánchez em bobeada do sistema defensivo no final do primeiro tempo. O temor e a inquietude tomaram conta de cerca de 53 dos 57 mil presentes ao Mineirão na tarde desse último sábado.



Comemoração brasileira após o 'gol' de David Luiz (Foto: Getty Images)

No segundo tempo, os chilenos não ofereceram perigo constante ao desequilibrado sistema defensivo, mesmo passeando pelo meio-de-campo. A história foi assim durante boa parte do jogo. Quando já parecia difícil o placar mexer, começou a brilhar a estrela da tarde: Julio César defendeu brilhantemente, no contrapé, chute forte de Aránguis. Hulk já havia tido um gol anulado por dominar com o braço. O otimismo diminuía, e a prorrogação se tornava inevitável.

Os onze brasileiros começaram bem, mais calmos, sem desespero. Mas não arriscaram. Nada aconteceu nos primeiros 15 minutos, fora alguns chilenos desabarem no chão – uns exaustos, outros malandros. E os outros 15 seriam desesperadores. Pinilla acertou o travessão com poucos segundos restando. Não havia mais o que fazer. O choro do goleiro brasileiro indicava a tensão do momento. Era outra situação, outros jogadores mas, da última vez que a seleção bateu pênaltis decisivos, não guardou nenhum. Mesmo assim, a Copa América 2011 estava distante. Mais distante que o fantasma da Copa de 2010, na África do Sul. Não há quem não lembrasse da falha do goleiro.

Mas aquele era outro Julio. Este de agora disse aos colegas: “pego dois”. E pegou dois. O terceiro explodiu na trave. Alívio. Brasil classificado, jogando mal, desequilibrado emocionalmente e, em alguns momentos, sem a menor organização tática. Agora vem a Colômbia de James Rodriguez e cia. Dado o bom jogo deles contra o Uruguai, o favoritismo não existe. Tudo pode acontecer – até mesmo mais uma disputa de pênaltis. Aí eu quero ver.


Festa do escrete canarinho após vitória nos pênaltis (Foto: Vipcomm)






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