Bélgica vence e se classifica, mas Argélia rouba a cena

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Africanos partem pra cima, goleiam, e são favoritos pela segunda vaga. Belgas seguem sofrendo, mas vencendo

Texto de: Felipe Deliberaes

As seleções de Bélgica e Rússia fizeram, na tarde deste domingo, um duelo entre o favoritismo despreparado e o pragmatismo experiente. Com Mertens e Fellaini de titulares, os Diabos Vermelhos ganharam mais poder de transição, e começaram melhor hoje do que contra a Argélia, na primeira rodada – o que não quer dizer muita coisa.

O goleiro Akinfeev só se preocupou com os avanços de Mertens, mas não teve de realizar grandes defesas na meta russa. Como não podia deixar de ser, o lance do primeiro tempo foi uma polêmica: Alderweireld tentou o bote em Kannunikov dentro da área e acabou chutando o pé do russo. Pênalti não marcado para a seleção que, até os 30 do segundo tempo, merecia vencer.

Rasteira do juiz! Russos sofrem com arbitragem, perde e estão quase fora (Foto: Getty Images)

Na segunda etapa a Rússia demonstrou evolução tática, subindo ao ataque com qualidade e alçando bolas perigosas na área (aproveitando sua média de 4 metros de altura). Com as linhas afastadas, a Bélgica não se encontrou durante os primeiros 10 minutos. Lukaku saiu (reclamando) para dar lugar a Origi, o que não mudou muito a situação. O jogo ficou morno, com a Rússia ainda tendo as melhores chances, embora nenhuma realmente clara. A torcida ficou impaciente, e chegou a gritar “vergonha” para a até então decepcionante seleção belga. 

A entrada de Mirallas (no lugar de Mertens) não mudou, mas coincidiu com uma melhora significativa dos centro-europeus, que se organizaram taticamente e passaram a controlar as ações. Após uma bola na trave em falta cobrada por Mirallas, a pressão ficou insustentável, e aos 42 Kompany puxou contra-ataque. A bola caiu nos pés de Hazard, que se infiltrou pela esquerda e cruzou para Origi marcar. 1 a 0, Bélgica classificada com antecipação – frase que não faz jus às dificuldades que a equipe enfrentou e à desorganização tática. Como afirmei no texto anterior, o mata-mata não perdoa.

Origi faz o gol do alívio belga (Foto: Eduardo Monteiro)


Agora, sim, vamos falar do melhor jogo do grupo: Argélia x Coreia do Sul. Pois é, quem diria? O técnico Vahid Halilhodzic realizou cinco alterações no time argelino, que assumiu postura ofensiva e partiu pra cima dos coreanos. Com maioria de torcida argelina no Beira-Rio, o gol não tardou a sair: Slimani recebeu lançamento de Medjani e bateu, sem chance para o goleiro Sungryong.

Instantes depois, Slimani finalizou bem e ganhou escanteio, que Halliche converteu. 2 a 0 e o terceiro era questão de tempo. Aos 37 ele mesmo, Slimani, tocou para Djabou, sozinho, fazer. Os africanos chutaram 12 bolas no alvo. Os asiáticos, nenhuma. Cenário que poucos imaginavam antes do apito inicial.

A Coreia voltou com outra postura para o segundo tempo, e descontou logo aos 6 minutos, com Heungmin. Aos 12, quase colam no marcador: o chute de Chuyoung foi salvo em cima da linha. Era perceptível a acomodação e desatenção dos argelinos, que 'sentaram em cima' do placar e chamaram os coreanos. Mas Brahimi recebeu de Feghouli aos 17 e matou o jogo. Os orientais ainda descontaram aos 27, com Jacheol, e pressionaram no restante da partida, sem muito sucesso.

A Argélia pode se classificar com um empate com a Rússia, já que a Coreia enfrenta a poderosa Bélgica e, em tese, não deve surpreender os habilidosos europeus. Mas, claro, essa não é a Copa das teses. É a dos gols, dos grandes jogos entre seleções pouco badaladas, dos craques alternativos. Ainda tem muita rede pra balançar no grupo H da Copa das Copas.

Slimani comemora o primeiro gol da Argélia (Foto: Edison Vara)

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